Infusion Design

Infusion Design

Compartilhar

Trabalho com criação de identidade visual, Logo, cartões de visita, web, etc para bailarinas, escolas de dança, artesãos e pequenos negócios.

Photos from Infusion Design's post 14/03/2021

Arte e organização para feed de Instagram

11/03/2021

arte para divulgação em mídia social

Photos from Infusion Design's post 09/03/2021

novos trabalhos da minha equipe de redes sociais

Identidade visual 23/08/2019

Criação de Identidade e de cartão de visita

Cartazes 20/07/2016
Photos 06/07/2015

Ótimo texto!!

HININ-DO:
Hyaku Monogatari

IV
A COVA FANTASMA

Os traumatismos pelo corpo durante os espancamentos, e na bacia, durante os estupros resultaram em infecção generalizada, sem chances para o corpo de Myuki acompanhar a ânsia ferrenha de retribuição contra o crime dos que a brutalizaram. Nua, as margens do Sanzu, Myuki sentiu ainda o tormento escruciante de ter a alma depelada por Batsue-ba para compensar a ausência de vestes para a pesagem dos pecados antes da Travessia iniciar-se. A gigantesca velha deteve-se em sua lida quando viu que a pele sangrenta da jovem arrancou uma galhada inteira da árvore retorcida em que ela pendurara a pele dela juntamente com tantas outras:

_ Você carrega consigo muito ódio que ainda a ancora ao mundo dos vivos. Para ter lugar junto aos que fizeram a Travessia, vá, e não volte até aplacar sua revolta. Do contrário, você não suportará ao que te aguarda do outro lado.

Mas, Myuki não obedeceu à bruxa de idade imemorial de imediato, inquirindo-a sem rodeios:

_ De quem são essas outras peles caídas com a galhada que não pôde sustentar a minha?

_ Foram de alguns daqueles cujas as ossadas partilham cova anônima com seus restos.

Myuki roubou para si todas as peles que pôde, esquecendo-se da própria, sem olhar para trás para saber se Batsue-ba estava no encalço dela.

Passaram-se anos até que Myuki escravizasse a vontade de cada alma atrelada ao acervo de peles que ela obtivera de Batsue-ba com improbidade. Sem aquelas peles, Emma-O poderia até vociferar seu julgamento acerca do destino da alma, mas sem provas que endossasse à sentença, elas não poderiam fazer sua Travessia à outra margem a fim de começar sua purificação em Jigoku.

Um poder já expressivo, arregimentado para os intentos de Myuki. Mas, quantas foram as vezes que ela fingira desatenção para as tentativas exasperadas dos espíritos escravos sob jugo dela, deixando-os atrair para a Cova as almas dos ainda viventes, só para que Myukki sufocasse as esperanças deles ao arrancar a pele da vítima adicioná-la a coleção cada vez mais substancial.

Quando Hirotaru adentrou os limites dos seus domínios por vontade própria e sem provocação de nenhum dos seus escravos, Myuki reconheceu de imediato o perigo que o monge representava aos planos dela. Não era curiosidade ou medo que o motivava a embrenhar-se naquela mata soturna e silenciosa, mas sim a determinação de brilho similar ao que faiscara nos olhos dela ainda nos últimos instantes antes de seu corpo ter expirado.

Um monge de ímpeto firme, mas acrescido de clareza paciente que sua meia-idade sedimentara com solidez intimidadora para a irrascível yurei. O perigo de Hirotaru ser bem sucedido na sua intenção de exorcisar a Cova era suplantado apenas pelos riscos envolvidos à dominância de Myuki, caso ela assimilasse o espírito poderoso do monge à turba angariada. Ela precisava encontrar outra saída para o impasse, pois ele estava determinado a estirpar a Cova dela as custas da própria vida, pondo-se na malfada trilha antes que a próxima vítima a caminho estivesse ao alcance dos apelos de seus escravos.

Ela, então deixou-os recaírem sobre Hirotaru com desespero desenfreado e cego, tendo ele a custo de livrar-se dos assédios ao longo de todo o caminho. Hirotaru repeliu a maioria deles, mantendo-os à distância ao agitar ameaçadoramente o cajado do seu avô em seu derredor. Quanto a trilha, ele a mantinha defumada com um maço inteiro de incensos incandescentes na outra mão. O monge ainda podia ouvir apelos de partir o coração, choros convulsos dos espíritos desamparados na mata escura, cujos fantasmas de movimentos eram percebidos pela esguelha do seu olhar, eriçando os pelos da nuca com faniquitos de suor frio. O orvalho recaído sobre a vegetação ciliar à trilha tinha odor ferruginoso e enodoava o robe de Hirotaru com vermelhidão agourenta.

Não havia estrelas ou nuvens num céu ameaçador, cuja infinitude dava a Hirotaru nítida sensação de falta de peso … como ele estivesse prestes a ser deglutido por uma descomunal boca do céu. O monge sentia-se enjoado, padecendo de violenta crise de tontura que comprometia seu progresso na trilha; mas sua intuição já o desapegava de toda possibilidade de retornar à segurança da estrada. Por isso, a despeito de todas as apreensões, ele seguiu adiante, certo de que, se a influência dos espíritos cativos na Cova Fantasma tinha alcançado aquela magnitude, era porque Hirotaru estava muito, muito perto do destino por ele próprio buscado.

Hirotaru sentira uma poderosa presença a espreitá-lo, evadindo de sua atenção, acobertada pelas súplicas das demais … que por serem por demais egoístas, recusavam obstinadamente o sacrifício do silencio, crucial para Hirotaru seguir com suas preces. Com empenho ele cercou o perímetro da Cova Fantasma com um círculo fechado de pesadas rochas, dotadas de, pelo menos, uma superfície plana, e projetadas todas para o centro. Sobre cada uma, Hirotaru escreveu às pressas os talismãs mais poderosos que ele conhecia nas áreas planas formadas com suas arestas irregulares, fechando o cerco sobre os yurei com vontade irrefreável de submetê-los e pô-los para dormir.

Os ouvidos do monge estavam fustigados pelas súplicas, que deixavam-no à beira da insanidade. Mas aos poucos os espíritos inquietos iam se apaziguando, silenciando-se um a um para dar lugar aos sons da manhã, e aos primeiros fachos do alvorecer.

De volta à comunidade de beira de estrada, Hirotaru felicitou-se em saber do velho que sua filha chegara ao destino almejado sem maiores revezes. Ela passaria a semana na vila do pai antes de retomar com a própria vida. Aos chefes da comunidade, o monge deu a localização exata daonde eles deveriam exumar as ossadas das pessoas desaparecidas, antes de espalharem a notícia em todas as vilas das cercanias que estivessem à procura de parentes perdidos. Mas, Hirotaru não deixou de ser enfático aos instruí-los também de que o círculo de pedras marcadas que assinala o sítio não deveria ser perturbado sob qualquer hipótese.

Hirotaru partiu sentindo-se encorajado a seguir com sua jornada. Ele estava consciente de que Ao Andon – incorporação do espírito de cem horrores – seria oponente muito pior do que uma cova repleta de yurei e que, portanto, ele ainda tinha muito chão a percorrer antes de voltar para casa com sua missão cumprida. O monge deteve-se na estrada por alguns instantes antes de retomá-la, receoso quanto a presença poderosa e sorrateira que espreitara-o sempre tangente à agudeza de sua intuição … ela permanecera imanifesta, calma e arguta durante todo o ritual que a encasulara, reservando-se a imperturbável silêncio.



Dias depois, os yakuza chegaram bêbedos à noite no ponto de encontro de sempre. Faltava-lhes equilíbrio para driblarem o círculo de pedras, novidade que não havia no local, mas que foi tida por eles com descaso assim como a constatação de terra fofa e remexida no seu centro. No tropeço de um deles, a cabaça de sake espatifou-se sobre uma das rochas, fazendo ferver o sangue do yakuza num acesso destrambelhado de fúria, chutando as pedras e arremessando algumas delas para longe ou contra troncos de árvores próximas. Os colegas riam dele com chacota, zombavam da frustração esdruxula do comparsa, cuja a raiva era inócua sobre as pedras e árvores. Eles custaram a notar as súplicas insurgentes … o calar dos ruídos noturnos da mata. Não havia luz, senão a das lanternas surrupiadas por eles pelo caminho. Permaneceram se entreolhando, intrigados com a mudança quase repentina, acometidos de insólita apreensão.

Quando um deles projetou as vistas nos arredores do acampamento, pôde então divisar na umbra com exatidão uma forma preta de silhueta humana, opaca, de pé … imóvel e voltada – o yakuza inexplicavelmente o sabia – toda sobre ele. O ataque de Myuki foi fulminante. Feito num átimo com velocidade aterradora a ponto de sublimar todo o álcool que os yakuza tinham no sangue. Um átimo em que ela já estava sobre o primeiro deles … pouco importando-se com a direção tomada pelos demais na fuga … especialmente porque eles sempre acabavam voltando para o círculo da Cova Fantasma, a tempo de assistirem o destino que Myuki reservara para todos eles: um a um, Myuki os devassou com uma faca desde o â**s à base do pescoço para, em seguida, forçar brutalmente o descolamento das exuberantes peles tatuadas de suas aderências fibrosas firmemente enraizadas nas suculências das carnes.

O monge quase arruinara tudo, mas a participação dele era, em verdade a aposta decisiva para o cumprimento da vingança engendrada por Myuki. Ela, Myuki, silenciou-se durante todo o exorcismo. Sabia que os yakuza que a assassinaram ainda usavam aquele ponto para se encontrarem ocasionalmente, e contava com eles para desecrarem o local, urinando na terra, bem como sobre os talismãs … quebrando o círculo que a impedia de manifestar-se. Myuki não contava mais com toda a energia avassaladora que ela custara a angariar, mas com as ossadas resgatadas da Cova, não havia mais nada que a impedisse de inaugurar sua nova coleção de peles para aquecê-la no perene frio da sua Cova Fantasma …

Identidade visual 07/02/2014

Cantora lírica - Miami, FL

Cartão de visita 07/02/2014

Cantora lírica - Miami, FL

Quer que seu escola/colégio seja a primeira Escola/colégio em Belo Horizonte?

Clique aqui para requerer seu anúncio patrocinado.

Localização

Endereço

Belo Horizonte, MG