Rafael de Paula - Orientação Vocacional

Rafael de Paula - Orientação Vocacional

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Escolher qual será a sua profissão nem sempre foi um processo tão difícil, angustiante e complicado quanto é atualmente. Ela é pessoal e intransferível.

Anteriormente, a profissão comumente era uma herança familiar: o filho de padeiro seria padeiro; o de sapateiro, sapateiro; o de alfaiate, alfaiate; etc.. Poucas eram as exceções, afinal, as oportunidades de mudança de profissão eram extremamente restritas. Entretanto, nos dias de hoje, muitas pessoas podem escolher sua profissão: há vários cursos (técnicos e de graduação) ofertados pelas também v

16/11/2016

O que é a verdadeira realização pessoal?

É muito importante falar sobre realização pessoal. Precisamos disso em nossa vida profissional, pois é o que dá ânimo para continuarmos empenhados – e alegres – no nosso trabalho, seja ele qual for. Mas o que é realização pessoal? Parece óbvio, mas não é. Algumas pessoas acham que a realização pessoal está, por exemplo, em ficar rico depois de alguns anos de trabalho árduo; outras, acreditam que está em obter prestígio na profissão – o que normalmente vem depois de alguns bons anos de experiência profissional; outros, na fama que se conquista daquilo que se faz. Ou seja, todos esses exemplos que citei dizem respeito a uma realização vista tanto como uma meta final e futura – “se eu conseguir isso no fim, estarei realizado!” – quanto como um patamar “perfeito” a que se chega onde não há mais nada a se fazer além de desfrutar da realização conquistada.

Porém, a realização não deve ser vista como o resultado futuro de anos de esforço (riqueza, fama, prestígio, etc.) e nem como um lugar perfeito que alcançamos de modo definitivo. A realização está no presente, não no futuro. Vou explicar, porque o que eu estou escrevendo não é nenhum absurdo – por mais que pareça! Vamos ao dicionário Aurélio. A única definição que encontramos para a palavra “realização” é a seguinte: “1. Ato ou efeito de realizar(-se)”. Então, realização é uma ação – constante – de realizar a si mesmo ou algo, ou seja, não é um resultado final futuro que alcançamos! Já a palavra “realizar” significa “1. Tornar real, efetivo, existente”, ou seja, é uma ação de tornar a si mesmo (ou algum objeto concreto) real. Assim, se eu falo de realização pessoal, só posso estar falando da “ação de tornar a minha pessoa real”, o que em outras palavras significa a “ação de colocar a minha pessoa na realidade, no mundo”!

Por fim, se realização pessoal é a “ação de colocar a minha pessoa no mundo”, quer dizer que ela só existe se for a ação de deixar, diariamente, a marca da minha presença no contexto em que eu estou vivendo (o que inclui tanto o contexto em que trabalho quanto todos os outros contextos da minha vida), por menor ou maior que ela seja. E se é uma marca pessoal, quer dizer que ela não pode ser qualquer marca, porque todos nós somos únicos, singulares, e a marca de um nunca poderá ser igual à de outro; quer dizer, então, que precisa ser uma marca que tenha a ver comigo, que tenha os valores mais importantes para a minha pessoa (e cada um de nós tem alguns valores que são extremamente importantes para si, que podem ser justiça, bondade, beleza, felicidade, verdade, solidariedade, dentre outros) e que tenha o meu jeito de ser! Então, chega de carregar a falsa ideia de que a realização está no futuro: para ser verdadeira, ela deve ser constante e deve ser no presente. E um importante alerta: eu estar me realizando não quer dizer que eu não possa passar por dificuldades no meu trabalho (e, sinceramente, sempre serão muitas!), e sim que, apesar de todas as dificuldades que eu tenho que enfrentar, eu consiga deixar algo de meu, algo próprio da minha pessoa e algo que eu amo naquilo que eu faço. Essa sim é a verdadeira realização pessoal.

21/09/2016

Vocação significa “chamado interior”. Nem sempre é fácil identificarmos esse “chamado”: seja por estarmos vivendo momentos conturbados em nossas vidas, seja por não sabermos como descobrir essa vocação, seja por outras “n” dificuldades.

Então, como reconhecer as vocações – pois temos muitas! – que estão dentro de cada um de nós? Não há uma resposta única e completa – ou manual de conduta – a essa pergunta, mas uma das maneiras de fazer essa descoberta é vivenciar as coisas! Parece óbvio, mas não é. É impossível descobrir que eu tenho realização com a prática da natação se eu não tiver a experiência – positiva e segura – de nadar. Porém, não basta viver as coisas como um robô – e muita gente faz isso! –, sem refletir criticamente sobre elas: precisamos, a todo momento, comparar tudo que vivemos com o que nosso “coração” deseja e pede.

E como funciona isso de comparar as coisas com o coração? Nosso “coração” é o que nos revela tudo aquilo que nos realiza, e ele faz essa revelação por meio daqueles momentos em que ficamos maravilhados diante de certas coisas que vemos ou fazemos. Maravilhar-se é aquela experiência que temos quando ficamos emocionados ao ver uma coisa muito bonita, que pode ser um pôr-do-sol, um filme, o nascimento de um bebê, a primeira palavra do filho(a), por exemplo.

Portanto, esse “chamado interior” precisa das experiências de vida para ser revelado: chegar até o “coração” que abriga esse “chamado” implica estarmos bem atentos aos momentos em que ficamos maravilhados com os acontecimentos das nossas vidas, por mais simples e banais que estes pareçam ser. Afinal, muitas vezes, o mais importante para cada um de nós está justamente nas coisas mais simples.

08/09/2016

“Na verdade, não é o muito que realiza a pessoa, mas o essencial.”
Bert Hellinger

24/08/2016

Uma pequena reflexão sobre os dilemas dos jovens sobre a questão da escolha profissional e uma breve apresentação do que é a Orientação Vocacional, seus objetivos e suas possibilidades.

23/08/2016

Orientação Vocacional: o que é?

Escolher qual será a sua profissão nem sempre foi um processo tão difícil, angustiante e complicado quanto é atualmente. Anteriormente, a profissão comumente era uma herança familiar: o filho de padeiro seria padeiro; o de sapateiro, sapateiro; o de alfaiate, alfaiate; etc.. Poucas eram as exceções, afinal, as oportunidades de mudança eram restritas. Entretanto, nos dias de hoje, são várias as possibilidades para a escolha: há uma infinidade de profissões e cursos (técnicos e de graduação) ofertados pelas várias universidades e instituições.

No meio dessa oferta caótica de cursos técnicos e de graduação, qual escolher? E quando há pressão dos pais, como lidar? Quais critérios levar em consideração na escolha da futura profissão? Como são as profissões e o que fazem? Essas são apenas algumas das várias perguntas que costumam tumultuar a cabeça de quem vê o momento da decisão se aproximar.

A Orientação Vocacional é um processo em que são utilizados não só te**es e técnicas para facilitar e amadurecer a escolha de uma profissão, mas também reflexões e atividades que permitem a elaboração da própria experiência pessoal e do reconhecimento de quem se é. Para isso, são trabalhados elementos relacionados à escolha profissional, tais como a independência, autoconhecimento e conhecimento da realidade profissional.

Porém, o pensamento dos dias de hoje é que a profissão é aquilo que vai nos realizar. “Se eu escolher a profissão certa, vou ser realizado!”, pensamos. Há aí um engano: nenhum elemento isolado da nossa vida – como o são o trabalho/profissão – pode nos realizar integralmente. Portanto, a profissão é um dos elementos que é parte da nossa realização pessoal, mas ela sozinha nada fará. Mais do que isso: o que nos realiza é a capacidade de colocarmos quem somos naquilo que fazemos, ou seja, colocarmos nosso jeito – único – de ser, nossos valores e nossos ideais (de justiça, de verdade, de beleza, de bem) no que se faz. Uma pessoa pode se realizar pessoalmente em diferentes profissões: o importante é que o seu trabalho seja a possibilidade de imprimir no mundo a sua marca pessoal, ou seja, de contribuir de forma única e singular para a nossa realidade (o que não significa, necessariamente, uma contribuição que nos faça famosos ou ilustres).

Lembre-se: a escolha profissional é uma escolha que só você pode fazer. Assim, ela deve ser feita levando em conta não apenas os gostos, interesses e habilidades próprias, mas aquilo que caracteriza a sua pessoa: seus valores mais íntimos, seus desejos, seus ideais, suas buscas e seus sonhos, suas características e seu jeito de ser. Escolher uma profissão deve ser parte de um processo de descobrir-se e perceber-se, para, só assim, encontrar a si mesmo e o próprio caminho. Afinal, a nossa profissão é uma parte indissociável de quem somos. Da mesma forma que ninguém pode ser feliz por você, ninguém pode trilhar o caminho da sua realização pessoal. Nem os pais, nem os amigos, nem o mercado de trabalho e nem o dinheiro devem fazer escolha profissional por você: ela é pessoal e intransferível.

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