Somaterapia

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A Somaterapia ou apenas Soma é um processo terapêutico e libertário, realizado em grupo e com ênfase no trabalho corporal e o uso da linguagem verbal.

A Somaterapia ou apenas Soma é um processo terapêutico-pedagógico, realizado em grupo e com ênfase na articulação entre o trabalho corporal e o uso da linguagem verbal. Foi criada no Brasil pelo escritor e terapeuta Roberto Freire, a partir da obra de Wilhelm Reich e sua pesquisa sobre corpo e emoção. A Soma defende a ideia de terapia como um processo que visa oferecer ferramentas às pessoas, para

Photos from Somaterapia's post 17/06/2026

“É o amor, e não a vida, o contrário da morte.”

“Amor e liberdade são duas necessidades semelhantes e paralelas, uma não vai sem a outra. Assim, na sociedade burguesa e capitalista, ninguém viverá o amor inteiro e completo, simplesmente porque nela ninguém vive o mínimo de liberdade que permitiria isso. Tragicamente, o ser humano se habituou a viver migalhas do amor, porque na sociedade capitalista há uma regra infalível: quem ama não f**a rico.”

O escritor Roberto Freire dedicou parte de sua obra a problematizar as questões do amor e suas implicações com as forças que operam social e politicamente em nosso tempo presente.
Elas são temas estão diretamente implicados na prática da Somaterapia e fazem parte das análises terapêuticas que realizamos.

16/06/2026

Grupo da Somaterapia aberto no Rio de Janeiro

Este grupo está iniciando e aberto a entrada de novas pessoas.
O processo terapêutico dura pouco mais de um ano, com quarto sessões mensais distribuídas em dias de semana à noite. (no Humaitá)

Cada sessão tem entre 2-3h e é composta por dinâmicas corporais próprias da Soma, seguidas de análises críticas sobre a emergência do que despertaram em cada um e conexões com o cotidiano.

A potência da terapia em grupo reside na noção de que nossos conflitos emocionais são sempre sociais e políticos.

O grupo será conduzido por João da Mata: somaterapeuta, psicólogo e dr. em psicologia e em sociologia.

Informações:
WhatsApp: 21 99871-3684
E-mail:
[email protected]

Photos from Somaterapia's post 11/06/2026

Para Roberto Freire, o amor não é um conceito abstrato ou uma idealização romântica, mas sim uma expressão do fluxo vital.
Para o autor, o amor e o tesão são forças revolucionárias de base biológica e cultural, fundamentais para a emancipação de vida.

Quando começamos a tentar traduzir o amor em categorias, métricas ou justif**ativas lógicas, acabamos, de certa forma, por tentar domesticar uma força que é indomável. Passamos de sujeitos que sentem a analistas do próprio sentimento.

O amor pertence à ordem da experiência, do corpo e do imprevisto. Explicar o amor é uma tentativa do ego de tomar o controle, de buscar segurança onde deveria existir entrega. A partir do momento em que se calcula o que se dá e o que se recebe (quantif**ação) ou se criam pré-requisitos para que ele exista (qualif**ação), o amor deixa de ser um acontecimento livre e passa a ser um contrato.

Photos from Somaterapia's post 08/06/2026

Ao definir a espontaneidade por meio da categoria da coerência, a artista Faiga Ostrower aproxima-se dos conceitos fundamentais de vitalismo e ecologia organísmica. A coerência interna não pressupõe um estado estático ou o isolamento solipsista, mas o alinhamento entre as dimensões somáticas, afetivas e intelectivas do ser.

No senso comum, a espontaneidade é frequentemente reduzida à manifestação de impulsos aleatórios ou respostas desprovidas de reflexão primária. Mas trata-se de uma ação singular de cada pessoa
Transposta para o ambiente clínico, essa premissa fundamenta o constructo da autorregulação.

Autorregular-se signif**a restituir ao organismo a capacidade de discriminar e processar suas próprias necessidades reais a partir de si mesmo. O peso das escolhas existenciais deixa de ser balizado pelas opiniões alheias e passa a ser ancorado na percepção integral de sua própria presença no mundo.

A Soma como processo terapêutico voltado para o incremento do ato de viver como obra de arte e espaço de liberdade opera diretamente sobre as amarras que impedem o exercício da espontaneidade. Para isso, autorregular nossa vida é também autogovernar ética e politicamente nossas ações no mundo.

Photos from Somaterapia's post 03/06/2026

Piotr Kropotkine (1842-1921), anarquista e geógrafo russo, ficou conhecido por sua resposta à distorção do darwinismo social (que usava a “sobrevivência do mais forte” para justif**ar o capitalismo e a desigualdade). Em sua obra Apoio Mútuo, Kropotkin viajou pela Sibéria e observou que, na natureza, as espécies que mais prosperam não são as que competem entre si, mas as que cooperam.

No tempo presente, onde o imperativo da concorrência e da racionalidade neoliberal — que reduz a existência à performatividade e ao esgotamento subjetivo —, a premissa do apoio mútuo de Kropotkin adquire vigor analítico e pragmático. Frente à erosão dos laços sociais e ao colapso civilizacional, a cooperação e a cumplicidade emergem como vetores indispensáveis de resistência e reorganização da vida.

Longe de um idealismo ingênuo, a solidariedade e a cumplicidade revelam-se tecnologias políticas urgentes, capazes de fraturar o isolamento atomizado e restituir ao social sua força de emancipação e cuidado coletivo.

“Em qualquer sociedade animal, a solidariedade é uma lei (um fato geral) da natureza, infinitamente mais importante do que essa luta pela existência cuja virtude os burgueses cantam em todos os refrões, de forma a melhor nos embrutecer. (…) Quanto mais o princípio de solidariedade igualitária se encontra desenvolvido numa sociedade animal e mais próximo do estado de hábito se encontra, mais possibilidade essa última tem de sobreviver e de sair triunfante da luta contra as intempéries e contra os seus inimigos. Quanto mais sinta de cada membro da sociedade a sua solidariedade com qualquer outro membro da mesma, melhor se desenvolvem, em todos, estas duas qualidades que constituem os principais fatores da vitória e de todo o progresso – a coragem, por um lado, e a livre iniciativa do indivíduo, por outro”.
Foto: Walter Firmo.

Photos from Somaterapia's post 02/06/2026

Esses versos de Cecília Meireles, capturam um tema central e suas diferentes concepções: a liberdade é um conceito abstrato que, embora difícil de definir objetivamente, é sentido e desejado por todos. Por sua centralidade e potência, trata-se de um termo historicamente capturado e ressignif**ado por diferentes perspectivas — frequentemente reduzido, pelo viés liberal, a um individualismo isolado ou ao mero direito de escolha mercantil.

Entre anarquistas, a vivência das mais amplas concepções de liberdade, confunde-se com as diferentes práticas daqueles que insistem em concebê-la como experimentação no agora, e não, como projeto futuro e seus mundos idealizados. São práticas de homens e mulheres que fizeram e fazem de sua existência percursos autorais inscritos na vida cotidiana. A anarquia faz parte de um ethos ingovernável, uma ação e um comportamento daqueles que não aceitam a hierarquia como condição inequívoca.

Não há autonomia possível pensada de forma isolada. Ela depende das condições sociais que a sustentam. Em meio à desigualdade, qualquer ideia de independência é frágil. Como lembra Bakunin, ninguém se realiza sozinho: é na coexistência com outros igualmente livres que se torna possível afirmar a própria autonomia. Trata-se, portanto, de uma construção coletiva.

Essa perspectiva rompe com a visão liberal clássica, que reduz tudo à ausência de interferência externa. Aqui, o foco está na qualidade das relações. Horizontalidade, apoio mútuo e participação direta não são ideais abstratos, mas práticas necessárias.
Onde o poder se concentra, a vitalidade das relações se empobrece e as possibilidades de criação se estreitam.

No âmbito da Somaterapia, o espaço terapêutico assume a função de um laboratório micropolítico e social; um espaço catalisador voltado para incrementar práticas de autonomia no cotidiano, na busca de uma “grande saúde”, e na atenção constante às formas de poder, inclusive às mais sutis, que atravessam nossos modos de existir. Sustentar essas práticas é também enfrentar os microfascismos que nos capturam e naturalizam o inaceitável.

Photos from Somaterapia's post 31/05/2026

A conhecida “Oração da Gestalt” do psicanalista Friedrich (Fritz) Perls, cofundador da Gestalt-terapia ao lado de Laura Perls, e do anarquista Paul Goodman, foi publicada em 1969 no livro Gestalt Therapy Verbatim. O poema se tornou uma síntese da transição de uma cultura focada no dever social para a busca da autenticidade individual.

Para a Gestalt-terapia, o amadurecimento psicológico pressupõe o auto-apoio. O postulado de Perls não opera como uma ode ao individualismo isolacionista, mas sim como uma crítica radical à confluência, o mecanismo de defesa em que o indivíduo abdica de sua singularidade para fundir-se às expectativas do outro.

A ética contida nesse fragmento existencial estabelece que o encontro só é factível a partir do reconhecimento da alteridade radical. O outro não existe para tamponar nossas faltas neuróticas ou validar nossas projeções. Perls reposiciona o encontro intersubjetivo no terreno da contingência e da liberdade, e não da obrigação ou do aprisionamento simbiótico.

Romper com as amarras das expectativas alheias é o primeiro passo para a restituição do fluxo vital e da autonomia existencial. É sustentar o vazio do não-encontro para, assim, possibilitar a potência do encontro franco.

Photos from Somaterapia's post 28/05/2026

A “Declaração do Amante Anarquista”, escrita por Roberto Freire e publicada originalmente em seu livro Ame e Dê Vexame (1990), é uma das sínteses mais bonitas e potentes da perspectiva libertária sobre o amor e as relações.

“Porque eu te amo, tu não precisas de mim.
Porque tu me amas, eu não preciso de ti.
No amor, jamais nos deixamos completar.
Somos um para o outro, deliciosamente desnecessários.”

Essa formulação rompe a herança do amor romântico, que historicamente se apoia nos conceitos de posse, carência e dependência mútua (a velha busca pela “metade da laranja” ou da “cara metade”).
Para Freire — criador da Somaterapia —, o amor só pode se realizar plenamente em um ambiente de autonomia e liberdade.

Dizer que o outro é “deliciosamente desnecessário” não signif**a desprezo, mas sim o maior elogio possível dentro de uma ética libertária. Signif**a que ambos são sujeitos inteiros, autônomos e perfeitamente capazes de viver por si mesmos.

Se eu não preciso de você para me completar e você não precisa de mim, a nossa permanência juntos deixa de ser uma dependência institucionalizada ou um contrato de segurança afetiva. Ela passa a ser uma escolha baseada no prazer do encontro e no tesão pela vida compartilhada.

É o amor tratado não como uma amarra ou um pacto de sacrifícios, mas como uma livre associação de pessoas.

Photos from Somaterapia's post 25/05/2026

Quando o poeta Arthur Rimbaud lamenta ter “perdido a vida por educação”, ele antecipa uma engrenagem que vai muito além dos muros escolares. A educação, aqui, opera como um dispositivo contínuo de ajustamento social que molda subjetividades na família, no trabalho e nas interações cotidianas.

Desde a infância, somos sutilmente capturados por expectativas invisíveis que priorizam o funcional em detrimento do autêntico, docilizando nossas potências para que caibamos em fôrmas sociais preestabelecidas.
Esse apaziguamento das singularidades gera uma existência performática, onde a aceitação é balizada pela nossa capacidade de mimetizar comportamentos aceitáveis.

Romper com essa lógica exige coragem para desaprender o que nos foi imposto como “o correto”, resgatando a diferença e a dissidência como vias possíveis para uma vida verdadeiramente viva, e não apenas ajustada.

A frase de Rimbaud, -também traduzida “Por delicadeza, perdi minha vida” - evidencia o medo da não aceitação, o receio de parecer inadequado aos olhos de outrem. Para garantir o pertencimento nos grupos sociais, muitas vezes passamos a polir demasiadamente nossas arestas.

Quando a aceitação externa depende do nosso apagamento, o vínculo deixa de ser uma potência e se torna o cativeiro de nossa singularidade. Uma das chaves para pensar a neurose vem justamente desse arranjo.

Photos from Somaterapia's post 21/05/2026

A frase atribuída à anarquista Emma Goldman condensa uma das críticas mais agudas e prementes à tradição dos movimentos revolucionários ortodoxos: a recusa em subordinar a subjetividade, o desejo e a vivência do corpo a uma promessa de emancipação puramente institucional ou futura.

Longe de ser uma apologia à frivolidade, a frase reivindica o corpo e a pulsão vital como territórios primeiros da contestação política. Uma transformação social não se opera exclusivamente por meio da reestruturação macroeconômica ou da subversão das dinâmicas de poder estatal; ela exige, fundamentalmente, uma ontologia da liberação, em um processo concomitante de contra-colonização dos corpos e de reinvenção de si.

A ordem social e política vigente não se sustenta apenas pela coerção jurídica ou pela força econômica, mas por uma sutil e contínua engenharia de domesticação das subjetividades, gerindo os prazeres e anestesiando as potências de agir. A vergonha é uma das expressões da heterorregulação.

Os processos de liberação corporal e subjetiva não são apêndices de uma luta maior; eles são a própria premissa da transformação social. Libertar o fluxo vital e permitir a expressão do afeto, do prazer e da autonomia psicossomática constitui um ato de insubmissão radical. É no restabelecimento da sensibilidade do próprio corpo que o sujeito desperta para a insurgência.

A potência do pensamento libertário evocado por Goldman reside na compreensão de que a revolução é um processo onde há separação entre o micro e o macropolítico

A “dança” de Goldman é também a metáfora para a espontaneidade vital e para a recusa de qualquer dogmatismo. A emancipação social, para ser autêntica, deve ser um processo estético, pulsante e vivenciado no aqui e agora. A transformação do mundo começa, inevitavelmente, como uma insurreição do próprio ser.

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