22/06/2026
Foi preciso uma exposição para eu enxergar algo que estava diante dos meus olhos há anos.
Já estive em Barcelona.
Já caminhei pelas obras de Gaudí observando a luz atravessar vitrais, os fragmentos transformados em composição e a natureza incorporada à arquitetura como se uma não pudesse existir sem a outra.
Também já estive em Viena.
Vi Klimt nos museus, nas ruas e nas memórias da cidade.
Observei o ouro, os padrões, os materiais inesperados e a maneira como suas obras parecem pulsar entre o real e o imaginário. Me emocionei com O Beijo (uma das obras preferidas da minha vida) .
Mas nunca havia conectado os dois artistas.
Até entrar na exposição O Impossível Existe.
Enquanto caminhava entre as obras, uma pergunta começou a me acompanhar:
O que conecta Gaudí e Klimt para além da Art Nouveau?
A resposta não veio pronta.
Veio como acontece nas boas pesquisas: em forma de inquietação e teorias.
E então me lembrei de uma frase de Vea Vecchi:
“O ateliê é a estrutura que conecta.”
E é isso que uma cultura do ateliê faz:
Aproxima ideias distantes.
Cria relações inesperadas.
Constrói pontes.
Faz surgir perguntas que não existiam antes.
Mas isso só é possível com uma boa curadoria. Curadoria não é apenas escolher obras.
Assim como no ateliê, curadoria é criar encontros.
Entre materiais, linguagens, pessoas …
E talvez seja justamente nesses encontros improváveis que o impossível começa a existir.
Conta aqui. Que encontros seus contextos estão possibilitando essa semana?
15/06/2026
A mesa de luz é muito mais do que um recurso tecnológico. Na cultura do ateliê, ela funciona como um convite para investigar, observar e tornar visível aquilo que, muitas vezes, passa despercebido.
Quando a luz atravessa os materiais, ela transforma a experiência.
A mesa de luz é um recurso potente. Mas ela também nos convida a refletir sobre algo maior: a relação entre tecnologia, natureza e aprendizagem.
Uma educação verdadeiramente inovadora não escolhe entre o natural e o digital. Ela habita a tensão criadora entre esses dois mundos.
No dia 1º de agosto, o CRIAR Nordeste | Educação, Infância, Cultura & Inovação estará em Petrolina em uma uma imersão para educadores inspirada pela força das linguagens natureza e digital.
Uma experiência para quem deseja:
📍descobrir como a Filosofia de Reggio Emília e as pedagogias participativas pensam a tecnologia nas escolas de infância;
📍como os territórios naturais podem se transformar em potentes contextos de aprendizagem.
12/06/2026
Aprender a fazer perguntas generativas é, antes de tudo, um exercício de olhar.
Um olhar que desacelera.
Um olhar que resiste à tentação de explicar rapidamente.
Um olhar que se deixa surpreender.
Por isso os educadores precisam pesquisar o mundo tanto quanto as crianças.
A floresta, a cidade, a praia, o quintal e as montanhas tornam-se verdadeiros ateliês de perguntas.
Mas como aprender a fazer boas perguntas?
🌿 Observe antes de interpretar.
🌿 Troque o “o que é?” pelo “o que pode ser?”.
🌿 Procure relações em vez de respostas.
🌿 Sustente o mistério por mais tempo.
🌿 Exercite diariamente o “E se…?”.
🌿 Escute as perguntas das crianças e transforme-as em novas investigações.
🌿 Permita-se não saber.
A qualidade das perguntas que fazemos está diretamente ligada à qualidade da nossa observação.
Perguntas generativas não nascem de quem já sabe.
Nascem de quem continua curioso.
Talvez seja por isso que educar para uma cultura do ateliê seja, também, reaprender a olhar o mundo com os olhos de quem ainda se encanta.
30/05/2026
Formas antigas de contar o tempo,
antes que o tempo coubesse nos ponteiros.
A água conta escorrendo.
O sol conta desenhando sombras.
O fogo conta consumindo matéria.
O som conta vibrando no ar…
Oculos Verde nos levam a “Estados de Ateliê” e nos lembram que
O tempo não é apenas medida.
É experiência.
É duração.
É espera.
É transformação.
As crianças sabem disso.
28/05/2026
Esse é um exemplo prático da função de um atelierista: Ampliar a capacidade de escuta de adultos e crianças - a partir do convite a olhar detalhes com atenção.
Na uma folha caída da árvore se torna um material precioso. Uma lupa mágica que amplia olhares em uma expedição pela natureza. Um convite a prestar atenção aos detalhes.
Por aqui no Na Praça Ateliê, gosto de fazer diferentes furos com formas e tamanhos variados para abrir conversas sobre perspectiva e ponto de vista.
Que tal experimentar brincar e compartilhar conosco nos stories suas descobertas e das crianças sobre território?
Acredite. Você vai se surpreender.
20/05/2026
Eu vi Monet em Fortaleza …
Se eu dissesse que essa imagem era uma pintura de Monet talvez você acreditasse, mas se eu dissesse que é Fortaleza talvez não.
A fotografia, nesse sentido, é uma forma de documentação poética do mundo.
Um exercício de atenção.
Um modo de dizer:
“eu vi.” “Vem ver o que existe aqui”
Hoje, ao visitar a eu vi a luz pintar como Monet no lago.
Parei para prestar atenção e capturei esse instante .
Que tal olhar a cidade como um grande ateliê a céu aberto?