18/06/2026
Treinamento RO DBT Nível 1, em português, está disponível! 🧡
O Nível 1 é o pontapé inicial para a certif**ação e prática da RO DBT. Você vai conhecer as bases teóricas e os principais estudos do modelo, entender o modelo autorregulatório do supercontrole, e aprender a avaliar e diferenciar supercontrole de não supercontrole através de escalas e inventários desenvolvidos para a própria RO DBT.
E tem mais: você vai ter a oportunidade de ver o Dr. Thomas Lynch discutindo um caso clínico na íntegra.
8 horas de treinamento, material didático em português, certif**ação pela Radically Open Blended Learning.
Quer saber mais? Link na bio!
13/06/2026
Na RO DBT, o objetivo não é eliminar o perfeccionismo.
Isso pode parecer estranho à primeira vista, já que muitas pessoas chegam à terapia acreditando que suas tendências perfeccionistas são o problema. Mas, para a RO DBT, o perfeccionismo é frequentemente uma expressão do supercontrole — um conjunto de características que também inclui responsabilidade, disciplina, persistência e comprometimento.
Quando tratamos o perfeccionismo como algo que precisa ser removido, corremos o risco de reforçar uma crença já muito presente em pessoas supercontroladas: a de que elas precisam consertar algo em si mesmas para serem dignas de aceitação.
Por isso, o foco da terapia não é travar uma guerra contra o perfeccionismo. O foco é ajudar a pessoa a desenvolver uma relação diferente com essas tendências: mais curiosa, flexível e compassiva.
Em vez de perguntar “Como posso deixar de ser perfeccionista?”, a pergunta passa a ser:
💭 “O que essa parte de mim está tentando proteger?”
💭 “Quando ela me ajuda?”
💭 “Quando ela me afasta da vida que quero viver?”
Paradoxalmente, é quando paramos de tentar nos consertar o tempo todo que nos tornamos mais livres para crescer, nos conectar com os outros e viver de acordo com nossos valores.
✨ O objetivo não é mudar quem você é.
✨ O objetivo é mudar sua relação com quem você é.
12/06/2026
A compreensão da solidão mudou muito ao longo do tempo. Em 1897, Durkheim já alertava: quanto menos integrada à comunidade, maior a vulnerabilidade ao sofrimento psicológico. O foco estava nos vínculos, na quantidade e na qualidade das conexões que uma pessoa conseguia manter.
Nos anos 1970, a ciência foi além e percebeu que nem toda solidão é igual. Surgiu a distinção entre solidão emocional — a falta de vínculos íntimos — e solidão social — a falta de pertencimento a um grupo. E com ela, uma definição que se tornou clássica: solidão é a discrepância entre as relações que desejamos ter e aquelas que percebemos possuir. Pela primeira vez, a experiência subjetiva entrou em cena.
A partir dos anos 2000, descobriu-se que a solidão vai além da psicologia: ela afeta o cérebro, altera sistemas biológicos relacionados ao estresse, está associada a processos inflamatórios e impacta a saúde física. A solidão passou a ser compreendida como parte de um conceito mais amplo: a conexão social, que inclui rede de relacionamentos, suporte interpessoal e sentimento de pertencimento.
A RO DBT acrescenta uma camada essencial a esse percurso: algumas pessoas podem estar cercadas de pessoas e ainda se sentirem profundamente sozinhas. No supercontrole, a dificuldade não está em encontrar companhia, mas sim, está em comunicar abertura, vulnerabilidade e receptividade. A mudança acontece quando aprendemos a enviar sinais que realmente convidam os outros para perto.
11/06/2026
Pesquisa apresentada no Brain 2026
Psicóloga Me Alessandra Lopes apresentou um estudo sobre a adaptação transcultural da Personal Need for Structure Scale (PNS) para o português brasileiro. A escala avalia a necessidade de ordem, previsibilidade e estrutura, características frequentemente relacionadas ao perfil de supercontrole.
Os resultados iniciais apontaram evidências favoráveis de validade e consistência da versão brasileira, contribuindo para o avanço da avaliação psicológica e para a compreensão de aspectos importantes do funcionamento da personalidade.
👏 Parabéns à Alessandra por mais essa contribuição para a ciência psicológica brasileira!
10/06/2026
Este estudo analisou dados do ensaio clínico randomizado RefraMED (N = 250), que comparou a RO DBT associada ao tratamento habitual (TAU) versus apenas tratamento habitual em adultos com depressão refratária ao tratamento (TRD). Quase metade da amostra (47%; n = 117) também preenchia critérios para Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva (TPOC), condição caracterizada por perfeccionismo, rigidez cognitiva e necessidade excessiva de controle. Os autores investigaram se a presença de TPOC influenciaria os resultados da RO DBT e se a terapia poderia beneficiar especif**amente características centrais desse transtorno.
Os resultados mostraram que, entre os participantes com TPOC, a RO DBT produziu melhorias signif**ativamente maiores em flexibilidade psicológica e coping emocional voltado para as emoções (capacidade de reconhecer, compreender e expressar emoções) no seguimento de 12 meses, em comparação ao tratamento habitual isolado. Embora não tenham sido encontradas diferenças signif**ativas nos sintomas depressivos ou no funcionamento interpessoal, a presença de TPOC não prejudicou os resultados da RO DBT: pacientes com e sem TPOC apresentaram benefícios semelhantes ao longo do tratamento. Esses achados oferecem evidências preliminares de que a RO DBT pode ser uma abordagem particularmente promissora para indivíduos com traços de supercontrole e TPOC, favorecendo justamente os processos que constituem alvos centrais do modelo, como abertura emocional, flexibilidade e conexão social.
10/06/2026
Este estudo analisou dados do ensaio clínico randomizado RefraMED (N = 250), que comparou a RO DBT associada ao tratamento habitual (TAU) versus apenas tratamento habitual em adultos com depressão refratária ao tratamento (TRD). Quase metade da amostra (47%; n = 117) também preenchia critérios para Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva (TPOC), condição caracterizada por perfeccionismo, rigidez cognitiva e necessidade excessiva de controle. Os autores investigaram se a presença de TPOC influenciaria os resultados da RO DBT e se a terapia poderia beneficiar especif**amente características centrais desse transtorno.
Os resultados mostraram que, entre os participantes com TPOC, a RO DBT produziu melhorias signif**ativamente maiores em flexibilidade psicológica e coping emocional voltado para as emoções (capacidade de reconhecer, compreender e expressar emoções) no seguimento de 12 meses, em comparação ao tratamento habitual isolado. Embora não tenham sido encontradas diferenças signif**ativas nos sintomas depressivos ou no funcionamento interpessoal, a presença de TPOC não prejudicou os resultados da RO DBT: pacientes com e sem TPOC apresentaram benefícios semelhantes ao longo do tratamento. Esses achados oferecem evidências preliminares de que a RO DBT pode ser uma abordagem particularmente promissora para indivíduos com traços de supercontrole e TPOC, favorecendo justamente os processos que constituem alvos centrais do modelo, como abertura emocional, flexibilidade e conexão social.
09/06/2026
Você sabe como ajudar um cliente supercontrolado a lidar com os impulsos por ordem e controle?
Na RO DBT, não tentamos eliminar os impulsos por organização, estrutura ou controle. Em vez disso, ajudamos o cliente a desenvolver uma nova relação com eles e para isso, usamos a metáfora do “aprendendo a navegar pelos desejos compulsivos”.
Imagine uma pessoa tentando atravessar o oceano em um pequeno barco. Cada vez que o vento muda de direção ou uma onda aparece, ela entra em pânico e tenta controlar o mar. Remexe as velas sem parar, aperta o leme com força, consulta mapas repetidamente e gasta toda sua energia tentando garantir que nada inesperado aconteça. Quanto mais tenta controlar o oceano, mais exausta f**a.
Na RO DBT, o terapeuta não ensina essa pessoa a eliminar as ondas nem promete que o mar f**ará sempre calmo. Em vez disso, ele se torna um navegador experiente ao seu lado. Ajuda o cliente a reconhecer os sinais de uma tempestade interna, a urgência de organizar, corrigir, planejar ou controlar tudo e a perceber que essas ondas não são inimigas. Elas surgiram para protegê-lo, para ajudá-lo a encontrar segurança em um mundo imprevisível.
Aos poucos, o terapeuta ensina que navegar não signif**a controlar o mar, mas aprender a permanecer no barco quando as ondas aparecem. Em vez de reagir automaticamente à necessidade de controle, o cliente aprende a observar a onda chegando, sentir seu impacto e confiar que ela também irá passar. Com o tempo, ele descobre que pode ajustar as velas, mudar a rota quando necessário e continuar sua jornada mesmo sem ter certeza do que encontrará adiante”.
O objetivo da terapia não é construir um oceano sem tempestades. É ajudar o cliente a se tornar um navegador mais flexível, capaz de seguir em direção ao que realmente importa, mesmo quando o mar da incerteza continua se movendo sob seus pés. 🌊⛵️
08/06/2026
Arte da Não Produtividade na RO DBT
Pessoas com traços de supercontrole costumam viver sob a crença de que seu valor está diretamente relacionado ao quanto produzem. O tempo livre pode gerar culpa, o descanso pode parecer desperdício e atividades sem um objetivo claro podem ser vistas como algo sem importância. Aos poucos, a vida passa a ser organizada em torno de desempenho, responsabilidades e autocorreção constante.
Na RO DBT, entendemos que essa dedicação excessiva ao trabalho, às metas e à produtividade nem sempre é um sinal de saúde emocional. Muitas vezes, ela representa uma estratégia para manter o controle, evitar vulnerabilidades e reduzir o desconforto associado à incerteza ou à espontaneidade.
Por isso, um dos papéis do terapeuta é ajudar o cliente a reaprender algo que muitas pessoas supercontroladas perderam ao longo da vida: A ARTE DA NÃO PRODUTIVIDADE, ou seja, a capacidade de brincar, explorar, descansar e fazer coisas apenas porque são agradáveis.
Os terapeutas procuram criar oportunidades para que seus clientes pratiquem a não produtividade intencionalmente. Isso pode signif**ar ler um livro de ficção em vez de um livro de desenvolvimento pessoal, assistir a uma comédia sem transformar a experiência em aprendizado, passear sem um objetivo específico, tirar cochilos, sonhar acordado ou simplesmente passar um tempo com outras pessoas sem estar realizando uma tarefa.
Quando a vida f**a excessivamente orientada para desempenho e resultados, perdemos acesso à espontaneidade, ao prazer e à conexão genuína com os outros. Paradoxalmente, muitas pessoas descobrem que é justamente quando deixam de tentar ser produtivas o tempo todo que se sentem mais vivas. Elas passam a experimentar momentos de curiosidade, criatividade, descanso e intimidade que não poderiam ser alcançados por meio do esforço constante.
Na perspectiva da RO DBT, aprender a não produzir o tempo todo não é um sinal de fracasso. É uma habilidade de abertura radical para a vida 🥰
Conta o que você gosta de fazer para a não produtividade!
07/06/2026
Vida Radicalmente Aberta: o que isso signif**a?
Na RO DBT (Radically Open Dialectical Behavior Therapy), uma vida radicalmente aberta não signif**a dizer “sim” para tudo, ser extrovertido ou viver sem limites. Signif**a cultivar uma postura de abertura diante da realidade, especialmente quando ela desafia nossas certezas.
A ciência da RO DBT parte da observação de que algumas pessoas desenvolvem um estilo de supercontrole: são altamente disciplinadas, responsáveis, perfeccionistas e autocontroladas. Essas características podem trazer sucesso acadêmico e profissional, mas, em excesso, podem resultar em rigidez, isolamento emocional, dificuldade de receber feedback e sofrimento psicológico.
Uma vida radicalmente aberta envolve:
✔️ Estar disposto a questionar as próprias convicções.
✔️ Reconhecer que podemos estar errados.
✔️ Aprender com experiências inesperadas.
✔️ Buscar conexão genuína com outras pessoas.
✔️ Trocar a necessidade de controle pela curiosidade.
Na perspectiva neurocomportamental da RO DBT, a abertura está relacionada à capacidade de flexibilizar respostas automáticas e permitir novas aprendizagens. Em vez de perguntar apenas “Estou certo?”, passamos a perguntar: “O que ainda posso aprender aqui?”
A pesquisa sugere que pessoas com maior flexibilidade psicológica e abertura à experiência tendem a apresentar melhor adaptação social, maior bem-estar emocional e relacionamentos mais satisfatórios.
Talvez a vida radicalmente aberta não seja sobre ter todas as respostas.
Talvez seja sobre desenvolver coragem suficiente para continuar aprendendo.
06/06/2026
“Não posso ser visto suar.”
Na RO DBT, essa metáfora descreve uma tendência comum em pessoas com supercontrole: a necessidade de parecer sempre fortes, competentes e no controle, mesmo quando estão sofrendo por dentro.
Muitas vezes, essas pessoas aprenderam que demonstrar vulnerabilidade, pedir ajuda ou revelar dificuldades poderia ser interpretado como fraqueza. Assim, escondem o esforço, o medo e o cansaço para preservar uma imagem de estabilidade.
O problema é que os seres humanos se conectam justamente por meio de sinais autênticos. Quando nunca mostramos nossas dificuldades, podemos parecer competentes, mas também distantes.
A proposta da RO DBT não é abandonar a disciplina ou a responsabilidade. É reconhecer que demonstrar humanidade não reduz nossa força, é isso que torna os relacionamentos mais genuínos.
Afinal, o que você perde quando tenta fazer parecer que está tudo bem o tempo todo?