Já não é possível fingir que os alertas sobre o INEM são ruído corporativo ou resistência à mudança.
A Comissão de Trabalhadores alertou.
Os profissionais do INEM alertaram.
Os sindicatos alertaram.
A Liga dos Bombeiros Portugueses alertou.
Antigos governantes alertaram.
Quatro antigos presidentes do INEM alertaram.
O antigo presidente do Colégio da Competência de Emergência Médica alertou.
E até já houve reunião entre antigos presidentes do INEM e o Bastonário da Ordem dos Médicos, onde o próprio bastonário se mostrou preocupado e irá acompanhar de perto todo este processo.
Ou seja: praticamente todos os que conhecem o INEM, o SIEM e a emergência médica pré-hospitalar estão a dizer o mesmo.
O problema não está em quem alerta. O problema está em quem insiste em não ouvir.
Os diplomas publicados este mês e aquilo que se conhece da nova Lei Orgânica revelam uma visão desligada da realidade operacional.
Na realidade, há falta de planeamento, ausência de estratégia, diplomas inaplicáveis no terreno, indefinição sobre meios, trabalhadores e responsabilidades, e uma perigosa fragmentação de um sistema que devia ser reforçado, não desmantelado por etapas.
Reformar o INEM é necessário.
Fazê-lo à margem dos profissionais, contra os alertas técnicos e ignorando a realidade do terreno é irresponsável. Ainda há tempo de recuar.
Ainda há tempo de alinhar a reforma com a realidade, ouvir quem sabe e travar uma asneira que ameaça tornar-se estrutural.
Persistir neste caminho já não será erro! Será escolha! E essa escolha terá responsáveis.
Comissão de Trabalhadores INEM
Comissão de Trabalhadores do Instituto Nacional de Emergência Médica
A Comissão de Trabalhadores do INEM informa que foi aprovado, na Comissão de Saúde da Assembleia da República, um requerimento para audição da CT sobre a reorganização do Sistema Integrado de Emergência Médica e a integração das ambulâncias SIV nas ULS.
A CT aguardará agora o agendamento formal da audição, momento em que levará à Assembleia da República as preocupações dos profissionais relativamente ao futuro do INEM, à organização do SIEM, às condições de trabalho e ao impacto das alterações anunciadas na resposta pública de emergência médica.
Assim que exista data definida para a audição, os trabalhadores serão informados.
A Comissão de Trabalhadores do INEM informa que estará presente, através da sua coordenação, na vigília agendada para o próximo dia 21 de maio, junto ao Ministério da Saúde, em Lisboa.
Esta presença assume uma natureza institucional, de acompanhamento e proximidade com os profissionais do INEM, num momento em que persistem legítimas preocupações quanto ao futuro do Instituto, dos seus profissionais e da resposta pública de emergência médica.
A Comissão de Trabalhadores representa todos os trabalhadores do INEM, independentemente da carreira, categoria ou local de trabalho. Por esse motivo, entende que não pode deixar de estar presente num momento público em que estarão em causa matérias que dizem respeito ao conjunto dos profissionais do Instituto.
Sem prejuízo da autonomia da iniciativa e das entidades que a promovem, a presença da Comissão de Trabalhadores não altera nem substitui a sua posição própria, institucional e independente.
A Comissão de Trabalhadores continuará a acompanhar todos os desenvolvimentos e a defender, nos locais próprios, os direitos dos trabalhadores e a proteção do INEM enquanto estrutura essencial do Serviço Nacional de Saúde.
A Senhora Ministra da Saúde apresenta como “revolução” aquilo que, na prática, corresponde a uma redução estrutural da capacidade pública de resposta do INEM.
Não está em causa um simples “pool de 40 ambulâncias” como anunciado. Está em causa a redução de cerca de 50 ambulâncias face ao dispositivo existente. Menos meios não são reforço. Menos capacidade operacional não é modernização. Menos resposta pública não é reforma.
O que está a ser desenhado não é uma privatização formal do INEM.
É algo mais subtil e, por isso mesmo, mais perigoso: a retirada progressiva de competências, a diminuição dos meios próprios, a fragilização dos profissionais e a abertura deliberada de espaço para que entidades privadas ocupem aquilo que o Estado deixa de assegurar.
Chamar a isto reorganização é insuficiente. Chamar-lhe modernização é abusivo. Na prática, trata-se de uma privatização material sem privatizar juridicamente o INEM.
O que está em causa é simples: reduz-se o INEM, fragiliza-se a resposta pública e cria-se espaço para que o transporte privado ocupe aquilo que deveria continuar a ser uma responsabilidade pública forte, direta e qualif**ada.
Há ainda uma questão que não pode ser ignorada: se o orçamento do INEM aumenta, mas a despesa com recursos humanos e capacidade técnica própria diminui, então a conclusão é evidente. O reforço financeiro não está a ser orientado para fortalecer o INEM, os seus profissionais ou os seus meios próprios. Está também a servir para financiar a transferência de resposta para entidades externas e para injetar dinheiro público no sector privado.
A Senhora Ministra da Saúde e o Presidente do INEM parecem seguir em contramão, convencidos de que todos os alertas dos profissionais, todas as dúvidas levantadas e todos os sinais de risco são apenas ruído.
Não são. São avisos de quem conhece o terreno, o sistema e as consequências reais destas decisões.
Mantém-se o nome INEM, mas reduz-se a sua substância. Preserva-se a aparência institucional, mas retira-se capacidade operacional invocando-se a reforma, mas aquilo que se vê é o enfraquecimento de um instituto que deveria ser reforçado.
O INEM não precisa de ser esvaziado.
Precisa de investimento, meios próprios, profissionais valorizados, formação robusta, liderança competente e uma estratégia pública clara para a emergência médica pré-hospitalar.
A emergência médica não pode ser tratada como um exercício contabilístico, nem como uma oportunidade para transferir responsabilidades públicas para terceiros.
Quando se reduzem meios, quando se retiram competências e quando se abre espaço ao sector privado para ocupar a resposta que o Estado abandona, não se protege o cidadão. Expõe-se o cidadão.
O que está em curso não é uma revolução. É o desmantelamento progressivo do INEM enquanto estrutura pública operacional forte.
E isso deve preocupar seriamente todos os portugueses
A Comissão de Trabalhadores do INEM não pode deixar passar em claro a afirmação da Senhora Ministra da Saúde, de que o INEM não está em crise.
O INEM está em crise. Está em crise a liderança, ou a falta de qualidade da mesma.
Está em crise a confiança dos profissionais, que desaparece a cada dia.
Está em crise a estabilidade de uma instituição que, neste momento, se aproxima mais de um Titanic a caminho do iceberg do que de um instituto preparado para responder ao país.
Sabemos que a mudança é urgente. Sabemos que mudanças são difíceis, mas podem ser compreendidas quando o resultado final é melhor do que o ponto de partida.
Não é isso que vemos acontecer.
O que vemos são, em grande parte, medidas cujo impacto não foi previamente avaliado, estudado ou explicado.
Medidas capazes de serem pensadas e verbalizadas numa qualquer conversa de café, mas absolutamente insuficientes para reorganizar uma instituição crítica para a proteção da vida humana.
Negar esta realidade não a resolve.
Apenas demonstra distância face ao que se passa todos os dias no terreno.
É triste que, perante profissionais cansados, pressionados e confrontados com uma reorganização profunda sem esclarecimento suficiente, a resposta política seja dizer que não existe crise. Existe!
Os trabalhadores sabem.
Os cidadãos sentem.
O país não ganha nada com negação.
Comissão de Trabalhadores do INEM, I.P.
No INEM trabalham médicos, enfermeiros, psicólogos, técnicos superiores, assistentes técnicos, TEPH e muitos outros profissionais.
Todos fazem parte de uma cadeia de resposta que só funciona se cada elo for respeitado, ouvido e integrado nas decisões.
Nos últimos dias, com novos diplomas, anúncios e declarações sobre a reorganização do SIEM, muitos profissionais do INEM deixaram de saber qual será, afinal, o seu papel no futuro da instituição.
Fala-se de transferências, integrações nas ULS, novas entidades, novas responsabilidades e novas competências.
Mas continua a faltar o essencial: falar com os trabalhadores.
Explicar.
Esclarecer.
Respeitar.
As ambulâncias do INEM, tripuladas por TEPH, não são apenas viaturas numa escala. São meios próprios de emergência médica, com profissionais formados, enquadramento operacional, protocolos, equipamento, medicamentos, articulação permanente com o CODU e experiência acumulada no terreno. Representam uma resposta pública, direta e diferenciada do INEM ao cidadão.
Quando se fala em reorganizar, transferir ou “integrar” estes meios, não se está a mexer apenas em mapas, organogramas ou diplomas.
Está-se a mexer na resposta que chega às pessoas quando alguém liga 112.
Os profissionais do INEM não querem conflito. Quer estabilidade, condições, formação, meios adequados e uma missão clara: garantir ao cidadão o melhor socorro possível.
Desde o início deste processo, os trabalhadores têm sido colocados perante uma lógica errada: ou estão “com” quem decide, ou estão “contra” quem decide.
Mas a realidade é mais simples. Apenas querem fazer bem o seu trabalho, proteger o sistema e servir a população.
Mesmo com falta de profissionais, escalas difíceis, instalações degradadas, incerteza e decisões tomadas longe de quem está no terreno, o INEM continua a funcionar porque há trabalhadores que não desistem.
Mas nenhum sistema aguenta indefinidamente quando os seus profissionais são ignorados, pressionados e encurralados.
A Comissão de Trabalhadores deixa um alerta simples: não se constrói uma emergência médica melhor apagando quem a assegura todos os dias.
Não se protege o cidadão criando medo, instabilidade e desconfiança entre aqueles que têm de estar prontos quando tudo falha.
Os profissionais do INEM não pedem privilégios.
Pedem respeito.
Pedem clareza.
Pedem condições.
Pedem que os deixem cumprir a sua missão.
Porque quando alguém liga 112, quando uma vida está em risco, quando uma família espera ajuda, não é uma reorganização administrativa que aparece à porta.
São profissionais de saúde.
E muitos deles são TEPH.
A Comissão de Trabalhadores do INEM, I.P.
Novo modelo de integração das SIV nas ULS — Desresponsabilização não é reforma
Car@s colegas,
Transferir uma resposta diferenciada, que funciona, com histórico, enquadramento operacional, formação específ**a e integração no SIEM, para estruturas cuja missão principal não é a emergência médica pré-hospitalar, não é reformar. É abandonar uma missão pública essencial.
Em vez de corrigir falhas, reforçar equipas e melhorar condições de trabalho, opta-se por transferir o problema. Isto não é coragem política. É desresponsabilização, é perigoso e é um ato de cobardia institucional.
A Comissão de Trabalhadores do INEM rejeita o novo modelo de integração das ambulâncias SIV nas ULS.
A integração já existe (modelo de gestão conjunta) — e o que acontece nas ULS é público e documentado.
As equipas SIV são hoje compostas por enfermeiros do INEM, TEPH’s do INEM e enfermeiros das ULS.
O que essa coexistência já nos mostra é inequívoco: supervisão clínica e formação contínua inexistentes, avaliação de desempenho atrasada e pouco clara, bolsas de horas e folgas não pagas, reposicionamentos sem progressão de carreira, retroativos por liquidar — realidade que se verif**a nas ULS, não no INEM.
Créditos laborais em dívida que alimentam desmotivação e abandono em praticamente todas as ULS do país.
No INEM, estes processos funcionam. Integrar os profissionais do INEM nas ULS não é harmonizar — é exportar as disfunções que o INEM ainda evita.
Os números confirmam a preocupação.
O Relatório n.º 05/2025 do Conselho das Finanças Públicas — os últimos dados públicos disponíveis — regista que o SNS acumulou em 2024 um défice histórico de 1 377,6 milhões de euros e uma dívida a fornecedores de 1,4 mil milhões de euros, com apenas 38,5% das entidades a cumprir o prazo legal de pagamento.
São estas as estruturas a quem o Governo quer entregar os meios de emergência pré-hospitalar e a responsabilidade de contratar e manter enfermeiros, médicos, TEPHs e psicólogos?
Não pretendemos denegrir a imagem das ULS — conhecemos a sua realidade porque articulamos diariamente com elas, e sabemos que essa realidade é difícil, por razões que não lhes são imputáveis.
Mas se muitas não conseguem assegurar macas suficientes para os doentes que recebem nas urgências, como poderão arcar com a complexidade operacional, logística e clínica do SIEM?
Com que meios, com que garantias e com que credibilidade?
As perguntas sem resposta são muitas: quem garante a evolução de carreira dos profissionais que ingressaram no INEM em função pública?
Quem assegura stocks e substituição de recursos humanos em situação de pandemia ou evento crítico — sem o INEM como retaguarda?
Como serão auditados e corrigidos incidentes críticos? Serão as ULS dotadas de acesso aos dados clínicos do SIEM?
São questões legítimas e urgentes, que até hoje não encontraram espaço para ser transmitidas, ouvidas ou respondidas.
Tudo isto tem um impacto direto no cidadão: na disponibilidade dos meios quando deles precisa, na garantia de que chegam dotados dos profissionais com a formação certa, com os equipamentos e materiais necessários disponíveis — e no acesso aos seus dados clínicos no momento em que a sua vida pode depender disso.
A Comissão de Trabalhadores não aceita que se chame "refundação" ao desmantelamento daquilo que devia ser reforçado.
O que está em causa são os profissionais, os seus direitos e os cidadãos que dependem desta resposta de qualidade.
Profissionais do INEM novamente esquecidos
A Comissão de Trabalhadores do INEM manifesta profunda preocupação pelo facto de os médicos do INEM parecerem ter f**ado fora dos incentivos ao serviço de urgência anunciados pelo Governo.
Os médicos do INEM asseguram funções nucleares no sistema de emergência médica: CODU, helicópteros, VMER, formação e apoio à decisão em contexto pré-hospitalar. Não são periféricos ao SNS. São parte essencial da resposta urgente e emergente do país.
Já no passado demoraram cerca de dois anos a ver reconhecida a dedicação plena. Continuam sem SIADAP devidamente implementado. Agora, perante novos incentivos à atividade médica urgente, voltam a ser esquecidos.
É esta a estratégia do Governo para fixar médicos no INEM ou para os afastar?
A pergunta torna-se ainda mais legítima quando, em simultâneo, se admite recorrer cada vez mais a médicos hospitalares para funções no CODU, nos helicópteros e noutros dispositivos do INEM.
A Comissão de Trabalhadores exige esclarecimentos imediatos sobre a inclusão dos médicos do INEM neste regime e sobre as medidas concretas previstas para a sua valorização, fixação e reconhecimento.
O INEM não se defende esvaziando os seus profissionais.
Car@s colegas,
Neste 1 de Maio, Dia do Trabalhador, importa dirigir uma palavra de reconhecimento a todos os que, diariamente, asseguram a missão do INEM.
O INEM é uma instituição exigente por natureza. Trabalhamos num contexto em que cada decisão pode ter impacto direto na vida das pessoas. Estamos expostos à urgência, à pressão, ao escrutínio público, à responsabilidade técnica, operacional e humana.
Essa exposição não se limita aos meios de emergência ou aos CODU. Atravessa toda a instituição: quem atende, quem aciona, quem regula, quem tripula, quem forma, quem gere meios, quem assegura logística, informática, planeamento, apoio administrativo, jurídico, recursos humanos, farmácia, financeiro, compras, etc.
Todos contam. Todos são necessários. Nos últimos tempos, essa exigência tornou-se ainda mais evidente.
O INEM tem estado no centro da atenção pública, mediática e institucional.
Muito se tem dito sobre a sua organização, os seus constrangimentos, as suas fragilidades e o seu futuro. Mas há uma verdade que não pode ser esquecida: a instituição continua a cumprir a sua missão porque os seus trabalhadores continuam presentes, disponíveis e comprometidos.
Mesmo quando faltam condições.
Mesmo quando há incerteza.
Mesmo quando a pressão aumenta.
Mesmo quando o reconhecimento f**a aquém do esforço.
É esse sentido de responsabilidade que tem sustentado o INEM.
O 1 de Maio deve, por isso, ser também um momento de afirmação serena: os trabalhadores do INEM merecem respeito, estabilidade, clareza e valorização.
Merecem ser ouvidos e participar nas soluções.
Merecem que a sua experiência seja considerada nas decisões que moldam o futuro da emergência médica pré-hospitalar em Portugal.
Qualquer caminho de mudança que se queira construtiva tem de partir desta evidência: não há reforma possível sem os trabalhadores, nem há melhoria sustentável sem quem conhece o terreno, os centros, os meios, os procedimentos, as dificuldades reais e as respostas possíveis. O conhecimento acumulado dentro do INEM é um património institucional que deve ser protegido, usado e não ignorado.
É legítimo que existam diagnósticos, avaliações e propostas de reorganização. É necessário corrigir falhas e preparar o futuro. Mas também é essencial que esse processo seja conduzido com rigor, transparência, previsibilidade e respeito por quem, todos os dias, assegura o funcionamento do Instituto.
Os trabalhadores não recusam a mudança. Pelo contrário: sabem melhor do que ninguém onde estão muitos dos problemas. O que não podem aceitar é que a mudança seja feita à margem da realidade operacional, da legalidade, do interesse público ou sem a devida valorização de quem garante a missão pública do INEM.
Neste Dia do Trabalhador, a mensagem deve ser clara, mas responsável: o INEM precisa de estabilidade, confiança interna e visão de futuro.
Precisa de proteger os seus profissionais, reforçar as suas capacidades, valorizar carreiras, garantir formação, melhorar condições de trabalho e comunicar de forma clara e verdadeira com quem está dentro da instituição.
A exposição pública não pode recair apenas sobre os trabalhadores. A pressão diária não pode ser normalizada. A disponibilidade permanente não pode ser confundida com obrigação silenciosa de suportar tudo.
O INEM é feito de pessoas. Pessoas que atendem chamadas difíceis, que tomam decisões sob pressão, que entram em casas, ruas e estradas em momentos críticos, que asseguram bastidores invisíveis, que mantêm sistemas, processos, viaturas, escalas, formação e respostas a funcionar.
Neste 1 de Maio, quando muitos esquecem os profissionais do INEM, é preciso reconhecer esse esforço coletivo.
Reconhecemos quem continua a cumprir, mesmo em contexto difícil e quem mantém a serenidade quando tudo à volta exige rapidez.
Reconhecemos quem dá a cara pela instituição, muitas vezes sem o devido reconhecimento e quem acredita que o INEM pode e deve ser melhor.
O futuro do INEM deve ser construído com responsabilidade e exigência, mas também com respeito e justiça. Com mudança, mas também com participação.
Porque defender os trabalhadores do INEM é defender a própria emergência médica.
Porque valorizar quem serve é fortalecer o serviço público.
Porque sem todos estes profissionais não há INEM.
Car@os colegas,
A propósito da entrevista ao Sr. Presidente do CD, publicada no SAPO/24 Notícias sob o título “Vim para refundar o INEM e não saio daqui sem isso feito”, a Comissão de Trabalhadores do INEM rejeita a narrativa pública que tem vindo a ser construída pelo Presidente do Conselho Diretivo em torno do Instituto, dos seus trabalhadores e do seu futuro.
Quando o Presidente fala em “o meu orçamento”, “o meu INEM” ou usa expressões do mesmo teor, não está apenas a cometer um excesso verbal. Está a expor uma conceção errada e perigosa do cargo público que ocupa.
O orçamento do INEM não é seu.
Os trabalhadores do INEM não são seus.
A instituição não lhe pertence.
O INEM é um instituto público ao serviço do país. É dos portugueses.
A quem dirige um serviço público essencial não se exige espírito de posse, nem protagonismo pessoal, nem discursos de apropriação. Exige-se verdade, estabilidade, transparência, respeito institucional e respeito pelos trabalhadores.
É por isso inaceitável a tentativa de apresentar o futuro do INEM como uma missão pessoal de “refundação”. O INEM não precisa de ser tratado como projeto de um homem só. Precisa de direção séria, de coerência, de respeito pelos profissionais e de decisões sustentadas no interesse público.
No que respeita a Oeiras, há uma contradição que não pode ser apagada.
Se a mudança era apenas uma ideia, como foi afirmado, então não se percebe por que motivo foi desencadeado um procedimento formal de consulta à Comissão de Trabalhadores sobre a transferência da sede e dos serviços localizados em Lisboa. Não se usa um expediente formal desta natureza para uma hipótese vaga ou para uma reflexão solta.
Ou era apenas uma ideia, e a consulta formal não se justif**ava, ou já existia uma intenção concreta, e então não pode agora ser rebaixada a mero exercício de ponderação.
Acresce que, no pedido de parecer remetido à Comissão de Trabalhadores, nunca constou qualquer solução de manutenção de trabalhadores na Infante D. Pedro durante anos. O que foi verbalmente referido (e nunca reduzido a escrito) foi uma permanência transitória por meses, não por anos. Tentar agora reconstruir o processo noutra versão é reescrever os factos.
A Comissão de Trabalhadores rejeita igualmente a forma como os Técnicos de Emergência Pré-hospitalar têm sido visados.
Na Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM, o Presidente afirmou que os técnicos falharam com o seu código deontológico. Essa afirmação é grave, injusta e ofensiva.
Importa ainda dizer o óbvio: o atual Presidente do Conselho Diretivo não estava no INEM quando ocorreu a greve de 2024.
Não viveu esse momento por dentro. Não acompanhou, no terreno e em tempo real, o drama operacional, humano e institucional desse dia.
Não esteve ao lado dos profissionais que estavam efetivamente ao serviço e que tiveram de enfrentar, sob enorme pressão, uma realidade extremamente exigente.
Por isso mesmo, não pode falar como se soubesse, ou julgar que sabe, o que foi vivido por quem lá esteve. Muito menos pode tirar conclusões morais simplistas sobre a atuação de profissionais que suportaram, em circunstâncias excecionais, um peso que ele próprio não testemunhou nem partilhou.
A realidade é outra: os técnicos, e todos os profissionais que estiveram a trabalhar, fizeram muito mais do que lhes era pedido. Sustentaram o sistema em contexto de enorme pressão, com falhas acumuladas, carências conhecidas e insuficiências estruturais que não criaram.
Não aceitamos que se procure transferir para os profissionais a responsabilidade por problemas de direção, de organização e de gestão.
Importa ainda assinalar a sucessão de avanços e recuos do Conselho Diretivo, que tem revelado falta de rumo e ausência de coerência.
Na formação, tudo foi apresentado como suspensão e bloqueio, mas afinal já se retomou formação dirigida a intervenientes do SIEM.
Na acreditação, anunciou-se a suspensão, mas afinal já se renovam acreditações.
Na triagem, foi anunciada a introdução da Triagem de Manchester, chegou a existir calendarização para esse efeito, e afinal foi desmarcada e nunca aconteceu.
Anuncia-se uma coisa, recua-se, reformula-se, e depois tenta-se apresentar cada contradição como se fosse normal. Não é normal. É instabilidade.
Essa mesma desorganização é visível na estrutura dirigente.
Há áreas relevantes a perder dirigentes sem nomeação substitutos e sem qualquer comunicação aos trabalhadores.
Segundo a informação de que a Comissão de Trabalhadores dispõe, essa situação verif**a-se no Gabinete de Regulação de Transporte de Doentes, no Programa Nacional de DAE, no Gabinete de Gestão de Instalações e Equipamentos, no Departamento de Formação, na coordenação de projetos (onde se incluem o SAMA 2020) que era também responsável pelo ITEAMS, e ainda no Responsável de Proteção de Dados e no Gabinete de Controlo Interno, também em processo de saída.
Uma instituição com saídas sucessivas, sem substituição clara e sem informação interna adequada, não transmite estabilidade, nem controlo, nem confiança.
Há ainda um aspeto politicamente revelador. O Presidente entendeu dar relevo público ao facto de estar, segundo as suas palavras, a perder dinheiro no exercício das funções.
Mas, pelos vistos, já não merece igual relevo a situação dos trabalhadores do INEM, que continuam muitas vezes sem ver pagos atempadamente direitos e compensações que lhes são devidos, incluindo compensações de trabalho extraordinário, saldos de horas, trabalho em feriados, ajudas de custo e outras componentes remuneratórias.
Num instituto público, a prioridade não pode ser a dramatização da situação pessoal de quem dirige. A prioridade tem de ser o respeito pelos direitos de quem trabalha e assegura o funcionamento do serviço.
A Comissão de Trabalhadores não aceitará que se procure fragilizar a imagem dos profissionais para proteger opções de direção.
Não aceitará que se use o peso institucional da presidência para transformar os trabalhadores em problema.
E não aceitará que se tente substituir a verdade dos factos por operações de comunicação, avanços e recuos ou reconstituições oportunistas da realidade.
Os trabalhadores do INEM têm sido, repetidamente, a parte que segura o sistema.
O que o país precisa não são proclamações, nem personalizações, nem discursos de posse.
O que o país precisa é de um INEM sério, estável, transparente, respeitador dos trabalhadores e verdadeiramente orientado para o interesse público.
A Comissão de Trabalhadores continuará a fazer o que lhe compete: defender os trabalhadores, defender a verdade dos factos e defender o carácter público do INEM.
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